Fui Bocage, o Rei das Broncas !

Nasci Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, em Setúbal no dia 15 de Setembro de 1765 e morri em Lisboa em 1805. Dizem que fui um dos maiores poetas portugueses e possivelmente o maior representante do arcadismo lusitano.

Herdei o Barbosa por parte do pai e o Hedois du Bocage do avô materno.Apesar das numerosas biografias publicadas após a minha morte, boa parte da minha vida permanece um mistério. Fui um homem moderno, pois acreditei sempre mais no sexo do que no amor.

Por causa das minhas broncas e da minha vida boémia estive engavetado no Limoeiro, no cárcel da Inquisição, no Real Hospício das Necessidades e até no Convento dos Beniditinos. Foi aí que Frei José Veloso me conseguiu pôr a viver de forma mais decente e recatada.

Morri de aneurisma numa rua do Bairro Alto.Também é lá do alto, que me puz a olhar para este Portugal e para o Mundo de hoje, e resolvi escrever neste blog umas novas broncas.

Nos meus tempos fui perseguido pela Inquisição e pelo Pina Manique, depois veio o Salazar com os seus esbirros da Pide, agora os governos de turno tentam impedir as criticas com perseguições modernas, com as Finanças a perseguir pelo IRS, escutas telefónicas, perseguições nas carreira e etc., etc., mas como eu já estou morto...o pior é para aqueles que ainda estão vivos !

terça-feira, 5 de junho de 2007

"Os ossos do barão"...e D. Afonso Henriques

"Os ossos do barão"... e D. Afonso Henriques

Uma respeitável antropóloga e professora da Universidade de Coimbra, viu novamente rejeitada pela Sr. Ministra da Cultura - E MUITO BEM - a sua tentativa de abrir o túmulo de D. Afonso Henriques, para estudar as ossadas do rei fundador. Perante a negativa da ministra e do IPPAR, diz a antropóloga em questão:

“A recusa invalida uma oportunidade única de fazer um projecto interdisciplinar, que extravasava o interesse da comunidade científica e em que o grande público estava interessado”. Não entendo bem a importância, mas enfim.

Embora haja vários comentários contra a decisão da ministra da "incultura" como dizem esses comentários - que talvez sejam familiares, alunos e amigos da antropóloga - onde é que a estimada doutora esperava chegar com esse pretenso exame ?

Há já mesmo alguns comentaristas, que tem a "lata" de dizer que analisando essas ossadas ia estimular nos mais jovens, o interesse pelo estudo da nossa História Pátria !

Para começar, e terem a certeza do que estavam a analisar, teriam que abrir os túmulos dos pais do D. Afonso ou dos seus descendentes ( D. Sancho I também tem aí o seu túmulo ) para que com as amostras de ADN, tivessem a segurança de que as ossadas eram mesmo de D. Afonso, e de que os padres do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra não tivessem feito troca alguma de ossadas, ao longo dos tempos, nas inúmeras obras que por lá efectuaram !


D. Sebastião e a sua mania de abrir os túmulos dos seus antepassados

Não sendo antropólogo, D.Sebastião "O Desejado", entre outras "taradices", também gostava de abrir túmulos. Durante uma viagem que fez pelas províncias, fugindo da peste de Lisboa, praticou as maiores extravagâncias. Mandava abrir os túmulos dos reis seus antepassados, extasiava-se diante dos que tinham sido guerreiros, mostrava o mais completo desdém pelos pacíficos, principiando a inspirar a todos os mais sérios receios esta sua índole destemperada e bravia que se curvava ao jugo dos jesuítas.

Ficou extasiado pelo tamanho das ossadas de D. Afonso III, e repreendeu severamente os restos de D. Pedro I no seu túmulo, que não foi aberto, pelas suas loucuras amorosas com Inês de Castro ! Os restos mortais de D. Sebastião foram sepultados no Mosteiro dos Jerónimos em 1582, com a presença de Filipe I de Portugal.

Um bom trabalho de antropologia, e de interesse para a História de Portugal, seria o de averiguar se as ossadas atribuídas a D. Sebastião, são mesmo as dele, pois familiares para comparações de ADN, não faltam nos Jerónimos.

Outro trabalho do mesmo género, e também de interesse para a História de Portugal, seria o de averiguar também se realmente D. Miguel I era mesmo filho de D. João VI ! ( Consulte-se a figura de D. João VI de A.H. de Oliveira Marques ?

domingo, 3 de junho de 2007

Hugo Chávez...futuro refugiado em Costa Rica !

CHÁVEZ PÕE PRETO NO BRANCO Artigo de Ferreira Fernandes (DN 11 de Junho )

Na entrevista ao Expresso, perguntaram a Mário Soares o que ele achava do venezuelano Hugo Chávez. A resposta: "É um homem de convicções. Tem uma referência: Simón Bolívar. Acredita na integração da América Latina. Uma integração contra o domínio dos gringos." Isto é, Soares assobiou para lado. Assobiou apreciativamente (aquela comparação com Bolívar...) mas sem se comprometer.

Vamos por partes, quem é Hugo Chávez ?

Hugo Rafael Chávez Frías nasceu em Sabaneta em 28 de Julho de 1954 é um político e militar venezuelano. É o 53º presidente da Venezuela. Chávez é o segundo de seis filhos de Hugo de los Reyes Chávez e da sua esposa Elena Frías de Chávez, ambos professores de profissão. Hugo e o seu irmão mais velho foram viver com a avó paterna Rosa Inés a pedido do pai quando Hugo era ainda muito novo.

Frequentou a escola primária no Grupo Escolar Julián Pino em Sabaneta e o ensino secundário no Liceu Daniel Florencio O' Leary na cidade de Barinas. Desde a sua juventude é um amante dos esportes, em particular do basebol.

Aos dezessete anos ingressou na Academia Militar da Venezuela, onde se graduou em Ciências e Artes Militares, ramo de Engenharia em 1975. Progrediu na carreira militar, tendo atingido o posto de Tenente-Coronel. Como todo o típico sul-americano, já foi casado 3 vezes e tem 4 filhos.

No dia 4 de Fevereiro de 1992 o então tenente-coronel Hugo Chávez, comandando cerca de 300 efectivos, protagonizou um golpe de estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez da Acción Democrática.

O golpe surgia num período de crise económica, marcado pela inflação e desemprego, contra as medidas económicas neoliberais adoptadas por Peréz - que seguia o receituário tradicional do FMI - e como consequência das violentas manifestações populares que há tempo vinham ocorrendo e que culminaram no "Caracaço", uma revolta espontânea que sacudiu Caracas em 27/02/1989.

Chavez foi detido e como consequência passou dois anos na cadeia. Foi libertado após o afastamento de Pérez, graças a uma amnistia do novo presidente Rafael Caldera, abandonando a vida militar para se dedicar à política. Em 1997 fundou o Movimento V República.

Nas eleições para a presidência da República celebradas a 6 de Dezembro de 1998 Chávez consagrou-se como vencedor com 56% dos votos, num clima político marcado pela corrupção e pelo descrédito em relação aos dois grandes partidos da democracia venezuelana que tinham governado o país nos últimos quarenta anos, o democrata-cristão COPEI e o partido de centro esquerda Acción Democrática.

Assume a Presidência para um mandato de cinco anos. Logo que tomou posse, em 2 de Fevereiro de 1999, assinou um decreto para que um referendo popular fosse realizado para convocar uma Assembleia Constituinte, cujo objectivo era dotar o país de uma nova Constituição.

Em 25/4/1999, mais de 80% dos venezuelanos se manifestaram favoráveis à criação de uma nova Assembleia Constituinte, no referendo popular.

Comentário - Bolívar referência de Hugo Chávez ? Comparar Hugo Chávez com Simon Bolívar é demasiado surrealista ! Hugo Chávez é o típico "cholito" - que sem querer fazer comparações elitistas - chega ao poder em momentos económicos díficeis, depois de ter ganho popularidade num golpe militar.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco, que nasceu em Caracas em 24 de Julho de 1783, e morreu em 1830 era uma aristocrata de origem basca..Em Janeiro de 1797 ingressou como cadete no Batalhão de Milícias de Blancos de los Valles de Aragua (do qual o seu pai tinha sido Coronel), onde se destacou pelo seu desempenho.

Em 1799 viajou para a Espanha com o propósito de aprofundar os seus estudos. Em Madrid ampliou os seus conhecimentos de História, Literatura, Matemática e aprendeu a Língua Francesa. Na capital espanhola casou-se com María Teresa Rodríguez del Toro y Alaysa em 1802, mas, de regresso à Venezuela , María veio a falecer de febra amarela em 1803.

Bolívar voltou à Europa em 1804, passando de novo pela Espanha antes de fixar residência em Paris. Na França participou da vida cultural e científica, travando amizade com os naturalistas e exploradores Alexander Von Humbolt e Aimé Bonpland. Reencontrou o seu tutor Símon Rodríguez, com quem viajou até à Itália em Abril de 1805.

No dia 14 de Agosto de 1805, no Monte Sacro em Roma, Simón Bolívar proclamou diante de Simón Rodríguez e do seu amigo Francisco Rodríguez del Toro que não descansaria enquanto não libertasse toda a América do domínio espanhol (Juramento do Monte Sacro). O local tinha grande valor simbólico uma vez que havia sido palco do protesto dos Plebeus contra os aristocratas na Roma Antiga. Ainda na Itália escalou o Vesúvio na companhia de Humboldt e do físico Gay-Lussac. De regresso a Paris ingressou na Maçonaria.

Em Janeiro de 1807 foi para Charleston nos Estados Unidos da América, vindo a visitar diversas cidades naquele país, como Washington DC. Filadélfia, Boston e Nova Yorque. Bolívar quando estava em Madrid jogava ténis com a rainha de Espanha !

Como se vê, de forma resumida, Bolívar era um aristocrata e um intelectual de grande calibre. Teve um sonho, libertar as colónias espanholas da sua tutela de Madrid e integrando-as, criar, na outra metade da América do Sul, um grande país com o Brasil, os Estados Unidos da América do Sul, mas de língua castelhana.

Não o conseguiu, e a América do sul é hoje constituída por 14 Países, 9 de língua castelhana, e 4 de línguas francesa, inglesa e holandesa.

Que Hugo Chávez « Acredita na integração da América Latina. Uma integração contra o domínio dos "gringos" ?» Se nem Bolívar com toda a sua influência, capacidade intelectual, boas intenções e lutas conseguiu formar Os Estados Unidos da América em Espanhol ! Acabou arruinado e morreu tuberculoso, solitário, num casebre em Santa Marta a primeira cidade da Colômbia.

Como que é hoje, em momentos bem mais difíceis, Hugo Chávez, o idealista "cholito" o vai conseguir ?

Contra os "gringos" ? Para se livrar deles, para começar, deixe de vender-lhes petróleo

Como disse o presidente do Brasil, respondendo a umas "piadas chavistas" de muito mau gosto, dizendo que que o Congresso brasileiro é "papagaio de pirata dos Estados Unidos":
"Chávez tem que cuidar da Venezuela, eu tenho que cuidar do Brasil, o presidente dos EUA, George Bush tem que cuidar dos Estados Unidos e assim por diante".

Segundo o Pravda.ru, desde 2005, Caracas gastou 3.400 milhões de dólares (2.600 milhões de euros) em armas da Rússia, incluindo 24 aviões de caça, 35 helicópteros militares, sistemas de defesa aérea e 100.000 metralhadores Kalashnikov. A razão da compra de todo este material é "resistir" a um possível bloqueio naval dos USA.

Chávez pensa também comprar à Rússia, “ submarinos da quarta geração Amur-950 e Amur-1650”, assim como “ modelos do projeto 636 que têm integrado um sistema lança-mísseis”. Os sistemas de mísseis russos Club-S, integrados em submarinos , não têm comparação no mundo ( diz o Pravda ). Foram desenvolvidas para destruir objetos submergidos em água, costeiros e de superfície aquática em condições da forte resistência radioelectrónica e de fogo.

Segundo o jornal russo Kommersant o ajuste comercial já está confirmado e o acordo será assinado durante a visita do presidente venezuelano Hugo Chávez à Rússia nas finais deste mês . De acordo com jornal que cita hoje suas fontes também anónimas, Caracas encomendou cinco submarinos diesel-eléctrico 636 e quatro de um novo modelo de submarino diesel-eléctrico Amur 677E que irá fornecido às Forças Armadas russas só este ano. O lote está avaliado em 1-2 biliões de dólares .

Pelo andar da carruagem, Chávez parece não estar a ter grande êxito na governação da sua Venezuela, gasta onde talvez não devesse gastar e apesar do lucro dos altos preços do petróleo, a sua popularidade baixa cada vez mais há medida que aumentam os seus processos ditatoriais, e mais ano menos ano, vai ter que fazer o mesmo que outros governantes da sua Venezuela, fugir e ir viver para San José da Costa Rica !

Em San José, numa esquina da praça central, há um café famoso, por ser o poiso de todos os governantes da América latina que por lá vegetam quando têm que fugir das suas terras !

Últimas "Chavices" - Hugo Chávez 'veta' oposição nos estádios da Copa América

Presidente da Venezuela comprou bilhetes para só dar aos seus apoiantes O arranque da Copa América, esta madrugada ( 26 de Junho), está a ser marcado por uma polémica provocada por Hugo Chávez, Presidente da Venezuela, anfitriã do torneio. Segundo jornais latino-americanos, o Governo de Chávez terá comprado grande parte dos bilhetes para a competição para evitar que membros da oposição estejam presentes nos estádios.

Chávez com Putin em Moscovo . "Juntos...pero no revueltos" !

«A visita do Presidente da Venezuela à Rússia fez reanimar muitos sentimentos já esquecidos na política e nas relações entre estadistas. Moscovo parece ter regressado aos velhos tempos da União Soviética, quando um Secretário-geral do Partido Comunista recebia um dirigente de Estado de um país de "orientação socialista".

Iúri Lujkov, Presidente da Câmara de Moscovo e, por mera coincidência, marido da mulher mais rica da Rússia, ultrapassou Chávez nas críticas ao "imperialismo norte-americano". Guennadi Ziuganov, secretário-geral do Partido Comunista da Rússia e produtor de mais um dos ramos do nacional-socialismo, estava radiante em poder mergulhar nos bons velhos tempos do socialismo desenvolvido.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, não convidou, desta vez, o seu homólogo para o Kremlin, pois, no início do de Julho, o senhor do Kremlin terá de se encontrar com George Bush e não convinha dar muita importância a este hóspede incómodo. Putin e Chávez jantaram na casa de campo do primeiro, nos arredores de Moscovo.

Mesmo assim, o dirigente venezuelano não conseguiu conter as emoções face a tanta hospitalidade: "Obrigado, Presidente. Obrigado, irmão. Na realidade, a visita começou de forma muito bonita. Obrigado pelo teu convite. Esta é já a quinta visita: como tudo mudou aqui!". É de assinalar que estas declarações foram feitas antes do jantar.

Só faltaram aqueles "célebres" ósculos do passado. Lembram-se?» (Condensado do blog de José Milhases)

Operação Escola segura...

PSP faz 'limpeza' à porta das escolas ( DN 17 de Junho )

A PSP, no âmbito do programa "Escola Segura", fez 497 detenções nas imediações de vários estabelecimentos de ensino, envolvendo tráfico de estupefacientes, posse ilegal de armas, roubo e, inclusivamente, venda de bebidas alcoólicas a menores em bares circundantes. A operação "Escola Segura-Final do Ano Lectivo 2006/2007" decorreu entre 21 de Maio e dia 8 deste mês em todo o território nacional.

À porta das escolas foram apreendidas, nomeadamente, 360 doses de haxixe, 276 doses de cocaína e 724 doses de heroína.

Por ser onde foi, os números são preocupantes. Mas "revelam, também, uma importante cooperação entre a PSP e a comunidade escolar, nomeadamente com os conselhos executivos e as associações de pais", disse ao DN o subintendente Luís Elias, chefe da Divisão de Prevenção da Criminalidade e Delinquência da PSP.

As estatísticas revelam que a proximidade da polícia aos estabelecimentos de ensino já fez descer a criminalidade em cerca de 5%, acrescentou o subintendente. Por isso, "cada vez mais os operadores escolares se predispõem a denunciar tudo o que, à volta das escolas, possa significar perigo para a integridade física e psicológica das crianças e jovens", sublinhou.

Comentário - Impressionante ! Aonde vamos chegar ! Quais serão as causas deste desastre ?

sábado, 2 de junho de 2007

Aborto em Portugal

Aborto em Portugal: Menos que um quarto da população decide o futuro

Editorial de Timothy BANCROFT-HINCHEY - Director e Chefe de Redacção do PRAVDA.Ru

24.69 por cento dos eleitores votaram a favor do aborto. É a voz desta pequena percentagem da população que vai determinar que doravante, os que não têm voz nunca poderão falar a favor do seu direito à vida.

Com uma abstenção de 56,39 %, votos nulos 0,68% e votos brancos 1,25%, quer dizer que só 41,68% dos eleitores registaram um voto válido e destes, 59,25 votaram Sim, com o Não registando 40,75%.

Os plenos efeitos deste referendo deverão entrar em vigor só em 2008, visto que o sistema carece de regulamentação sobre a interrupção voluntária de gravidez nos hospitais públicos, enquanto a despenalização do acto depende de uma revisão do código penal.

O Primeiro Ministro, José Sócrates, declara que a nova lei incluirá clausulas que introduzirão um período de reflexão para a mulher que queira fazer uma interrupção voluntária de gravidez (3 a 4 dias), bem como sistemas de aconselhamento.

Assim o Partido Socialista (governo) vai primeiro tratar da despenalização, em que o acto do aborto deixa de ser crime, por alteração ao artigo 140º do código penal, colocando uma terceira alínea, permitindo a interrupção voluntária de gravidez até dez semanas num estabelecimento legalizado.

A notar, por causa da elevada abstenção (acima de 50 por cento) este referendo não é vinculativo, o que significa que o Parlamento não tem obrigação de introduzir a legislação. Como aconteceu em 1998, quando 68,06% da população se absteve de votar sobre o mesmo assunto, passados nove anos, a população portuguesa mais uma vez deixou claro que não queria um debate público e a subsequente politização de uma questão que não passa de um drama particular - e extremamente profundo.

A lembrar que em 2007, mais que três quartos do eleitorado não votaram a favor da interrupção voluntária de gravidez.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru ( Edição em português )

História breve sobre o aborto.

Na Grécia Antiga, as leis de Licurgo e de Sólon, e a legislação de Tebas e Mileto tipificavam o aborto como crime.

Segundo o direito romano, não se considerava persona ao nasciturus, pelo que na Roma Antiga o aborto era permitido, embora se lhes reconhecesse direitos. Por exemplo se a mulher grávida fosse condenada à morte, suspendia-se a execução até ao nascimento.

No século II encontramos o primeiro registo de leis promulgadas pelo Estado contra o aborto decretando o exílio contra as mães e condenavam-se aos que administravam a poção abortiva a ser enviados para certas ilhas se fossem nobres e a trabalhos forçados nas minas de metal se eram plebeus.

Na Idade Média o direito canónico distinguia corpus formatum e corpus informatum. O primeiro é aquele que está em condições de receber a alma convertendo-se em feto animado, o segundo o que não tivesse chegado a esse estado. Houve discussão, mas em geral sustentava-se que a mudança dava-se aos 40 dias da concepção nos varões e 80 nas mulheres.

Na Idade Média, a Lex Romana Visigothorum editava penas severas contra o aborto. Durante o século XVIII muitos países do mundo criaram leis que convertiam o aborto em ilegal. O Código Penal francês de1791, em plena Revolução Francesa, determinava que todos os cúmplices de aborto fossem flagelados e condenados a 20 anos de prisão. O Código Penal francês de 1810, promulgado por Napoleão Bonaparte, previa a pena de morte para o aborto e o infanticidio. Depois, a pena de morte foi substituída pela prisão perpétua. Além disso, os médicos, farmacêuticos e cirurgiões eram condenados a trabalhos forçados.

Modernamente há a tendência de afirmar que são motivos religiosos o que mais motiva os que opinam contra a legalização do aborto. É verdade que para muitas das grandes religiões da Terra é criminoso, ou antes pecado grave, praticar o aborto. Mas com se viu até a anti-clerical Revolução Jacobina o proíbia com severidade!

O primeiro país do mundo a legalizar o aborto foi a União Soviética, em 8 de Novembro de 1920. Pela lei soviética, os abortos seriam gratuitos e sem restrições para qualquer mulher que estivesse em seu primeiro trimestre de gravidez. Os hospitais soviéticos instalaram unidades especiais denominadas abortórios, concebidas para realizar as operações em ritmo de produção de massa. Médicos estrangeiros que visitaram a União Soviética neste período para estudar a implantação do aborto referem que em 1930 um abortório com quatro médicos realizava 57 abortos em duas horas e meia. Aliás, desde 1913, Lenin já vinha defendendo a legalização do aborto. A política de despenalização foi interrompida em 1936 por Josef Stalin, para ser retomada anos depois da sua morte.

Comentário -Realmente foi incompreensível o extremo empenho da esquerda portuguesa na publicação da nova lei, que liberalizou totalmente o aborto em Portugal. Neste momento a nossa lei é muito mais radical que a lei espanhola e muitas outras na Europa. Vai ser realmente um suicídio no nosso crescimento demográfico. A nossa taxa de crescimento é de 0,334 % ( est. 2007), temos 10,59 %/1000 de nascimentos (est. 2007) para 10,56%/1000 de óbitos (est. 2007). a fertilidade é de 1,48 crianças por mulher (est. 2007).

A França, por exemplo, tem uma taxa de crescimento de 0,588%, 12,91%/1000 de nascimentos para 8,55%/1000 de óbitos com uma taxa de fertilidade de 1,98 crianças por mulher. A Finlândia tem uma fertilidade de 1,73 crianças por mulher, a Holanda tem uma fertilidade de 1,66 crianças por mulher, a Inglaterra tem uma fertilidade de 1,66 crianças por mulher, a Dinamarca tem uma fertilidade de 1,74 crianças por mulher.

Portugal, de uma população estimada em 10,642,836 (Julho 2007), 17,3% tem 65 ou mais anos de idade, 17.3% (homens 757,220/mulheres 1,080,699) valores estimados para 2007. A percentagem de jovens dos 0-14 anos é só de 16,5%.

Percebe-se uma das muitas razões que fez com que os franceses votassem à direita !

O problema do défice

O problema do défice

Segundo as estatísticas actuais o PIB português é de 183.619.000.000 de dólares. Portanto 3,9 % de défice significa cerca de 7.161.000.000 de euros, que na moeda antiga dá significa 1.432.000.000 de contos. O número é tão grande que pouca gente o entenderá !

E porque é que antes da nossa entrada no euro ninguém falava no défice ?

É simples, durante os períodos do escudo, os governos compensavam os excessos de gastos públicos com "emissões inorgânicas". Davam à manivela para fabricar dinheiro. Claro que o escudo cada vez valia menos, mas o "povão" não dava por isso. O esquema já é velho, os nossos antigos monarcas, "britavam" a moeda, e misturavam cobre nas moedas de ouro para cobrir os seu défices históricos.

E quem pagou a diminuição no défice das finanças públicas ?


Creio que ninguém tem dúvida. Aumento do IVA ( 2 % ), fechar maternidades ( as crianças nascem nas ambulâncias e nos elevadores ), fechar escolas, fechar urgências nos hospitais ( os cemitérios em Portugal têm muito espaço ), corte de subsídios a deficientes, diminuição de reformas, comparticipações em medicamentos, os supernumerários, bloqueamento dos ordenados dos empregados públicos, etc.,etc.

Com estas medidas qualquer "mentecapto" diminuiria o défice.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O problema da Ota

O problema da Ota

Estamos no dia 21 de Março de 2007. São 17.00 horas, e estou a ver e ouvir a sessão da Assembleia Nacional. Sobre a Ota não vale a pena a discussão e por uma razão muito simples. Hoje cada português deve ao estrangeiro cerca de 12.800 euros.

Se o Estado gastar cerca 900 milhões de euros, por exemplo, qual é o problema ? Mesmo que isso seja uma grande asneira, com o custo dividido por todos, cada português passaria a dever 12.890 euros. Quem vai discutir por 90 euros !

E já agora quem não comprou terrenos na Ota , deveria ter comprado, porque agora ganharia bom dinheiro !

Recentemente, como com "papas e bolos se enganam os tolos", o governo dá uma aparente volta atrás e depois do "jamais" do ministro Lino, aceita, "armado em bom", fazer um estudo sobre a hipótese do aeroporto no campo de tiro de Alcochete.

Em Alcochete havia a vantagem dos terrenos serem do Estado, serem maiores e melhores, e como região mais pobre, receber mais subsídios da UE. Mas já os autarcas da região centro, assustados com a possível perda dos lucros nos negócios dos terrenos, vieram a Lisboa reclamar junto do PS, pela possível alteração !

Os talibãs não são para rir

OS TALIBÃS NÃO SÃO PARA RIR ( DN de 26 de Maio )

"Derrotar os talibãs foi bem mais fácil do que se pensava. Cabul caiu ao fim de um mês de bombardeamentos, Kandahar ao fim de dois. E o mullah Omar foi visto pela última vez a fugir de mota dessa cidade do Sul afegão que servia de bastião ao seu regime obscurantista e protector de Ben Laden. Mas a verdadeira batalha estava apenas a começar: convencer os afegãos de que os americanos, e os seus aliados da NATO, não eram uma repetição dos invasores britânicos do século XIX ou dos soviéticos no século XX."

Que os afegãos não são pêra doce, como também já o escrevia Eça de Queiroz, nas suas famosas Cartas de Inglaterra :

O Afeganistão e a Irlanda

Dizia o Eça : "Os Ingleses estão experimentando, no seu atribulado império da Índia, a verdade desse humorístico lugar-comum do século XVIII:

«A história é uma velhota que se repete sem cessar


O fado ou a Providência, ou a entidade qualquer que lá de cima dirige os episódios da campanha do Afeganistão, em 1847, está fazendo simplesmente uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta.

Em 1847, os Ingleses – «por uma razão de estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia...» e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente retorcendo os bigodes – invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880.

No nosso tempo, precisamente em 1847, chefes enérgicos, messias indígenas, vão percorrendo o território, e com grandes nomes de pátria, de religião, pregam a guerra santa: as tribos reúnem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a entrada da Índia...

E quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o".

Como se vê, é o que está acontecendo em 2007

Diz-se que já nos tempos de Alexandre o Grande, quando este invadiu o Afeganistão lhe roubaram o seu famoso cavalo, o Bucéfalo. Depois, ameaçados por Alexandre, e com medo dele, acabaram por lho devolver.

Como dizia Eça, «A história é uma velhota que se repete sem cessar.»